A paz que excede todo o entendimento

Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; eu não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize.” (João 14:27)

Desde pequeno, sempre que lia ou ouvia alguém se referir a este versículo, me perguntava que tipo de paz diferenciada era esta que Jesus prometeu proporcionar. Eu sempre dizia em pensamento: “Bom, com toda certeza a paz que Jesus promete é superior à paz que é falada no mundo”; eu pensava isto, pois já tinha em mente que a “paz” oferecida no sistema mundano é falsa. É notório, por exemplo, que sempre que ouvimos falar sobre acordos de paz, eles nunca se concretizam de fato. E quando a “paz” se estabelece por algum tempo, seja entre governos ou até mesmo entre pessoas, no fundo sempre há algum tipo de interesse: seja pessoal ou, no caso de países, político e/ou financeiro.

É evidente que a falsa paz do mundo não pode servir de parâmetro para entendermos a paz proporcionada por Cristo, mas, por causa da minha falta de entendimento, à época, em relação ao Evangelho da Graça, eu não enxergava que a paz de Jesus passa longe de qualquer tipo de “paz” que possa haver no sistema humano.

Segundo o apóstolo Paulo, a paz de Cristo está acima de todo o entendimento:

E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus.” (Filipenses 4:7)

A paz de Deus não pode ser entendida humanamente, pois ela está infinitamente acima de qualquer raciocínio do homem em relação a este assunto. Basta uma breve observação no versículo citado acima para vermos que a paz de Cristo atua no interior (na alma) do homem. Note: “guardará os vossos corações”. Coração é a mente. E diz mais: “e os vossos sentimentos”. Está mais do que evidenciado, portanto, que a paz de Deus é no interior; ela atua em nossa alma de maneira poderosa.

O primeiro ponto que podemos observar em relação à paz de Cristo em nós está no fato de nossa mente ter sido totalmente purificada da má consciência que a Lei impunha no povo:

“Cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé, tendo os corações (as mentes) purificados da má consciência, e o corpo lavado com água limpa.” (Hebreus 10:22)

Esta purificação de nossa mente em relação à Lei, sem sombra de dúvidas, traz paz à nossa alma, pois, por meio desta Graça, descansamos, sabendo que diante de Deus estamos limpos de todo pecado (Colossenses 2:13-14; Hebreus 9:26), estamos perfeitos para sempre (Colossenses 2:10; Hebreus 10:14) e somos santos, irrepreensíveis e inculpáveis (Colossenses 1:22) diante do Altíssimo. Cá entre nós, há algo que pode trazer mais paz do que tudo isto que Jesus fez por nós?

Uma das coisas que mais me incomodavam era a ausência de paz que havia em minha mente em relação ao Eterno. Por causa da condenação imposta nas denominações onde passei, eu nunca me via “de bem com Deus”. Havia em minha vida sempre um sentimento de dívida para com o Altíssimo. Para glória do Senhor, no entanto, hoje posso entender que por meio da paz proporcionada por Cristo, eu e todas as demais ovelhas do Senhor estamos em plena paz com Ele:

“Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo.” (Romanos 5:1)

Hoje, por intermédio da revelação da Graça do Pai, podemos perceber claramente a atuação vívida da genuína paz de Cristo em nossa alma. A partir da chegada do Evangelho do Cristo Ressuscitado — revelado a Paulo — em minha vida eu pude entender, verdadeiramente, o que Jesus quis dizer quando afirmou: “a minha paz vos dou”.

No final do versículo que abriu este texto Jesus disse: “Não se turbe o vosso coração, nem se atemorizem”. De fato. Como é bom não temer acerca do futuro e da minha condição diante de Deus. Isto é paz!

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