Por que não celebramos o Natal?

Por Cristiano França
(Instagram: @cfeleito)


“Ela dará à luz um filho, a quem chamarás Jesus; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados.” (Mateus 1:21)

O nascimento de Jesus de Nazaré foi o primeiro passo da realização do plano divino de Salvação. O Cordeiro de Deus precisava participar de carne e sangue para que a empreitada redentora fosse finalmente iniciada.

Não obstante o nascimento de Jesus ter sido fundamental para a realização da redenção de Seu povo eleito, o fato é que por meio da revelação da Graça de Deus nós aprendemos a não conhecer mais o Senhor segundo a carne:

“Por isso daqui por diante a ninguém conhecemos segundo a carne; e, ainda que tenhamos conhecido Cristo segundo a carne, contudo agora já NÃO O CONHECEMOS DESSE MODO.” (2ª Coríntios 5:16)

Eis aí o primeiro motivo para não celebrarmos o Natal: esta festa celebra Jesus nascido em carne e nós já estamos em um nível maior de Fé: da cruz em diante nós voltamos nossos olhos espirituais para Jesus como Ressuscitado (Romanos 7:4) — como Deus assentado em Seu Trono de Glória — e não mais como judeu nascido em Belém.

Outro motivo para não enfatizarmos o dia 25 de dezembro é ainda mais contundente: Jesus, simplesmente, NÃO NASCEU nesta data. Este Natal religioso não tem respaldo no texto bíblico, seja na revelação de Paulo, seja nos textos históricos.

Veja bem: a Bíblia não diz em que dia ou mês Jesus nasceu. Mas, pelas informações contidas nos textos históricos, podemos concluir que Jesus não nasceu no inverno (naquela região é inverno em dezembro). Os pastores que visitaram Jesus estavam tomando conta das ovelhas à noite no campo (Lucas 2:8-9) e durante o inverno as ovelhas eram guardadas dentro de estábulos à noite, por causa do frio.

O pai de João Batista, Zacarias, estava trabalhando como sacerdote quando ouviu que iria ter um filho (Lucas 1:8-9). Os sacerdotes trabalhavam em vinte e quatro turnos e cada turno durava uma semana. De acordo com o calendário judeu, o turno de Zacarias trabalharia uma semana em maio ou junho. Se Isabel concebeu em junho, João Batista teria nascido em março (Lucas 1:23-24). Jesus foi concebido cerca de seis meses depois de João Batista e por isso tinham meio ano de diferença (Lucas 1:26-27). Se João Batista nasceu em março, Jesus teria nascido em setembro.

Muitos séculos antes de Cristo o “Natal” já era celebrado. Tudo começou devido a um fenômeno chamado solstício de inverno que ocorre no hemisfério norte. O dia deste solstício é marcado por ser o menor dia do ano (com menos luz). Assim, muitas religiões pagãs celebravam este solstício (que ocorre sempre entre os dias 21 e 23 de dezembro, dependendo do ano) como sendo o dia em que o sol venceu as trevas (ou seja, eles celebravam a “vitória do sol” sobre a escuridão mais longa do ano). Esta celebração do solstício em algumas culturas (principalmente entre persas e hindus) tinha como centro de culto um deus pagão chamado Mitra (conhecido como o “Sol Vencedor”). Para a cultura romana da época do Império, esta divindade era conhecida como “Solis Invictus” e seu aniversário era celebrado ― vejam só! ― no dia 25 de dezembro.

O mitraísmo se manteve vivo na Europa até meados do Século III. Mais precisamente no ano 313 d.C. o cristianismo foi legalizado em Roma por intermédio do Imperador Constantino I. Com o correr do tempo, a figura de Jesus passou a ser relacionada à do “Sol Vencedor”, assumindo assim algumas de suas características, dentre elas a data do seu nascimento. Assim, no ano 350 d.C., por meio de um decreto do Papa Júlio I, o aniversário de Jesus de Nazaré passou a ser comemorado oficialmente em 25 de dezembro. A partir deste período, o mitraísmo entrou em decadência e Jesus passou a ser conhecido, em lugar de Mitra, como o genuíno “Solis Invictus”. O Natal religioso, portanto, é uma data pagã, sem qualquer respaldo bíblico.

Por tudo que já foi dito, o Natal não tem nenhum valor para nós no que se refere ao âmbito espiritual. Não podemos admitir que sejamos fermentados com princípios antibíblicos criados por homens:

“Um pouco de fermento leveda toda a massa.” (Gálatas 5:9)

Contudo, é bom que algo fique bem claro: não devemos deixar de nos reunir com nossos familiares e amigos, nos alegrar, comer e beber nos dias 24 e 25 de dezembro, se esta for uma tradição familiar. Isto é positivo e já faz parte da cultura da maioria das famílias. Apenas achamos importante que os eleitos conheçam a verdade para que não caiam no erro de comemorar algo que não faz o menor sentido.

Em suma: aproveitemos o feriado de 25 de dezembro para estarmos próximos de quem amamos, mas não atribuamos qualquer valor espiritual a esta data que, fora o fato de ser uma oportunidade para confraternizações, não passa de um dia como outro qualquer.

Deus já nos abençoou!